Proposta Pedagógica

A Educação por Princípios estrutura-se como proposta pedagógica sob três pilares: a Filosofia, a Metodologia e o Currículo. Cada um destes pilares busca responder a indagação filosófica matriz da didática da Educação por Princípios.

  1. Filosofia, que busca responder ao “por quê” ou “para quê” da Educação por Princípios?
  2. Metodologia, que busca responder ao questionamento de “como” fazer a Educação por Princípios?
  3. Currículo, que busca responder “o quê” ensinar na Educação por Princípios?

Conforme definida pela F.A.C.E (Theaching and Learning – The Principle Approach), entidade norte-americana que definiu e estruturou essa abordagem, Educação por Princípios é um método cristão de raciocínio bíblico, que faz das verdades da Palavra de Deus a base de cada assunto no currículo escolar.

No entanto a Educação por Princípios, alem de estar estruturada sob os seus três pilares: filosofia, metodologia e currículo, estabelecidos pela F.A.C.E, tem um fundamento, sob o qual estes pilares estão sustentados, este fundamento é a bíblia.

A Escritura Sagrada é o principal livro texto da Educação por Princípios , uma vez que esta é uma proposta pedagógica pautada nos ensinos do Mestre dos mestres, Jesus Cristo, e busca extrair os princípios transformadores de Sua prática educativa inserindo-os na educação escolar.

Os princípios de Jesus Cristo podem transformar o homem e a sociedade, conforme a citação do Psiquiatra e cientista da inteligência Dr. Augusto Cury 1999, p.68,

Se os princípios sociológicos, psicológicos e educacionais contidos na inteligência de Cristo tivessem sido investigados e conhecidos, poderiam ter sido usados em toda a esfera educacional, do ensino fundamental à universidade.


Esses Princípios, poderiam ter enriquecido a sociedade moderna, que tem sido irrigada por discriminações e múltiplas formas de violência. Esses princípios podem ser muito úteis para a preservação dos direitos fundamentais do homem, para desbloquear a rigidez intelectual e para estabelecer a liberdade de pensar. Eles estimulam a inteligência e até mesmo a arte de pensar.

A educação escolar tem buscado sair do formalismo tradicional acadêmico rumo a novas perspectivas educacionais, perspectivas estas que consigam retirar os alunos da posição de expectadores transferindo-o para a responsabilidade de co-autores da história e da cidadania. Para isto o processo da construção de pensamentos precisa ser estimulado, exercitado e educado por meio da prática escolar. Segundo Augusto Cury 1999, p.46,

A ciência desenvolveu-se intensamente, todavia frustrou o homem. Fabricou máquinas para arar a terra e produzir mantimentos para saciar a fome física, mas não gerou princípios psicológicos e sociológicos para “arar” sua rigidez intelectual, seu individualismo e nutri-lo com a cidadania, a tolerância, a preocupação com o outro. Produziu informações e multiplicou as universidades, mas não resolveu a crise de pensadores.


No Colégio Fonte temos tido a oportunidade experimentar e aprimorarmo-nos constantemente nos fundamentos da Educação por Princípios, bem como das teorias didático pedagógicas, através de um diálogo e exercício semanal junto do corpo docente de reflexão sobre a ação e ação sobre a reflexão da pratica educativa vivenciada em nosso dia a dia.

A Educação por Princípios pode contribuir com relevância para com a formação docente continuada, devido ao fato de que apresenta uma proposta coesa entre a sua filosofia, sua metodologia e currículo, oferecendo ao educador a possibilidade de conhecer sua visão filosófica, sua ferramenta metodológica que orienta a prática para aplicação dos currículos.

A educação por Princípios visa integrar os valores da ciência com os princípios bíblicos para a formação de um cidadão integral em seus valores e saberes.

Para Comênio, segundo Inês Borges 2002, p. 66,

Que é a ciência sem a moral? Quem progride na ciência e regride na moral anda mais para trás do que para frente(...). A Ciência não deve juntar-se à libertinagem, mas à virtude, para que uma aumente o brilho da outra. E, quando a uma e outra se junta a piedade verdadeira, então a perfeição será completa. De fato, o temor de Deus, da mesma maneira que é o princípio e o fim da sabedoria, é também o cume e a coroa da ciência, porque a plenitude da sabedoria consiste em temer ao Senhor (Comênio,1996, p.161)


A palavra “princípio” segundo o dicionário Webster pode ser entendida como semente, prosseguindo em uma analogia podemos dizer que educar por princípios bíblicos é acreditar no poder e na essência do ato educativo como um ato de semeadura na humanidade, visto que na semeadura podemos escolher as sementes de acordo com os frutos que queremos colher, acreditamos que quanto à sociedade podemos escolher o tipo de humanidade que queremos formar, e fazê-lo em acordo com a educação que semeamos.

Se queremos formar homens e mulheres apenas úteis para o sistema capitalista devemos nos empenhar estritamente na racionalidade técnica educacional, porém se queremos transformar homens e mulheres em seres humanos integrais e úteis à sociedade precisamos estender nossa semeadura para além da racionalidade técnica, precisamos lançar sementes que atinjam o cerne humano e o trabalhe de dentro para fora, assim como a semente que uma vez lançada na terra, bem cultivada é transformada e torna-se transformadora. Neste sentido acreditamos que a bíblia é um celeiro de princípios que transforma o homem e o prepara para ser transformador em todas as áreas da vida.

Ressaltamos um texto das Escrituras Sagradas que norteiam a nossa visão educativa no sentido de demonstrar a função da educação, descrito em 2 Timoteo 3:16-17, “Toda a escritura ‘e inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda a boa obra.” O texto citado trata do ato educativo como um exercício que visa o “ser humano” e posteriormente o “fazer humano” através das seguintes palavras: seja perfeito e perfeitamente habilitado, palavras estas que colocadas nesta ordem trazem-nos a percepção de que a educação visa trabalhar o homem primeiramente em seu ser, porém visa também trabalhar a sua habilidade em fazer com excelência.

Portanto a educação visa a construção da identidade do ser e do fazer humano que segundo Nóvoa, 1995, p.16 A identidade é um lugar de lutas e de conflitos, e um espaço de construção de maneiras de ser e estar na profissão, ou ainda Nóvoa (1995, p.9) diz: é impossível separar o eu pessoal do eu profissional.

Uma vez visualizado este alvo, temos um referencial norteador que ilumina os nossos passos no sentido de fazer do ato educativo um exercício transformador primeiramente da humanidade e concomitantemente da sociedade.

Ressaltamos ainda que em nossa percepção os princípios bíblicos transcendem a esfera da religiosidade humana, não se limitando ao que foi historicamente padronizado como cristianismo, e sim buscando na essência dos ensinos de Jesus Cristo os seus referenciais de valores e saberes.

Referencias Bibliográficas

ALMEIDA, João Ferreira (tradutor). A Bíblia Anotada, Versão Revista e Atualizada. São Paulo: Mundo Cristão, 1994
BARBOSA, Joaquim Gonçalves II. Alves, Maria Leila III. Duran, Marilia Claret Gerdes IV (organizadores). Política e Educação: Múltiplas leituras. São Beranrdo do Campo, UMESP, 2002.
BORGES, Inêz Augusto. Educação e Personalidade: A dimensão sócio-histórico da educação. São Paulo: Editora Mackenzie,2002.
CURY, Augusto Jorge.Análise da Inteligência de Cristo: O Mestre dos Mestres. São Paulo: Academia de Inteligência, 1999.
CURY, Augusto Jorge. Pais Brilhantes, professores fascinantes. Rio de Janeiro: Sextante, 2003.
GADOTTI, Moacir. História das Idéias Pedagógicas. São Paulo: Ática, 2002.

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